terça-feira, 3 de novembro de 2009

Truffaut!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

ce soir, le vent qui frappe à ma porte
me parle des amours mortes,
devant le feu qui s’ éteint…

ce soir, c’est une chanson d’ automne
dans la maison qui frissonne
et je pense aux jours lointains…

que reste-t-il de nos amours?
que reste-t-il de ces beaux jours?
une photo, vieille photo
de ma jeunesse…

que reste-t-il des billets doux,
des mois d’ avril, des rendez-vous?…
un souvenir qui me poursuit
sans cesse…

bonheur fané, cheveux au vent,
baisers volés, rêves mouvants,
que reste-t-il de tout cela?…
dites-le-moi…

un petit village, un vieux clocher,
un paysage si bien caché
et, dans un nuage, le cher visage
de mon passé

les mots, les mots tendres qu’on murmure,
les caresses les plus pures,
les serments au fond des bois…

les fleurs qu’on retrouve dans un livre,
dont le parfum vous enivre,
se sont envolés pourquoi?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

PARA LER DE MANHÃ E À NOITE
Bertold Brecht

Aquele que amo
Disse-me
Que precisa de mim.Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sobre a morte da criança

Sou totalmente a favor da liberdade de imprensa, liberdade de expressão e etc, etc etc...Mas talvez, o conceito de liberdade carregue em si o germe dos mal entendidos que provoca a sua volta.Sob a bandeira da ética, jornalistas, na busca cotidiana pela audiência consomem até a última gota do sangue da vítima!!!Aproveitando- se desse gozo perverso de nossa espécie, transformam em mercadoria barata nossa dor mais legítima. A morte da criança, o buraco do metrô, o acidente aéreo..............................................................................................................................


"Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas; vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer e como se hão-de comer.»
Padre Viera

terça-feira, 8 de abril de 2008

lindo poema do Brecht

Não desperdicem um só pensamento
Com o que não pode mudar!
Não levantem um dedo
Para o que não pode ser melhorado!
Com o que não pode ser salvo
Não vertam uma lágrima! Mas
O que existe distribuam aos famintos
Façam realizar-se o possível e esmaguem
Esmaguem o patife egoísta que lhes atrapalha os
movimentos
Quando retiram do poço seu irmão, com as cordas
que existem em abundância.
Não desperdicem um só pensamento com o que
não muda!
Mas retirem toda a humanidade sofredora do poço
Com as cordas que existem em abundância!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Spinosa e Kavafis

A Humanidade ansiosa pelo Desespero




“A esperança é uma alegria instável nascida da idéia de uma coisa futura ou passada de cujo desenlace duvidamos em certa medida. O medo (metus) é uma tristeza instável nascida da idéia de uma coisa futura ou passada de cujo desenlace duvidamos em certa medida.
Segue-se dessas definições que não há esperança sem medo, nem medo sem esperança. Quem está suspenso na esperança tem medo de vê-la frustrada. Aquele que é vítima do medo, alegra-se na esperança de que a coisa temida não ocorrerá”.

À espera dos Bárbaros

"O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução."

segunda-feira, 3 de março de 2008